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20120222

FINISMUNDI: CANTIGA DA RIBEIRA

canta D.Júlia "Finismundi"

(sim; é noite em Santana

de

luAr

)

e os dedos de vovó Júlia

no vioLÃO blimblimbALÃO

:

nos foguetórios, oS bAlõ

e

s

flutUAM multicolorindo-se

no alto da torre da matriz

Nossa Senhora Sant’Anna;

marcaram encontro no CÉU

a

L

a

Ú

de, D. Júlia d'viola, gaita e fla

u

tAs:

colhe cajus Iluminata Farias

com um sorriso de amizade;

ara a terra José pra alimentar

d’esperança aves de arribação;

D.Júlia estende panos coloridos

e

nOr

mE

s

nos galhos dos umbuzeiros:

o pote d'água na cabeça da

mU

l

he

R

tem uma sede de etERNidade.




poema de Maria do Socorro Ricardo

escrito numa manhã invernal de 1980.

20120213

OS CUIDADOS COM SANTANA DO IPANEMA

Estou viajando numa xícara de café quente,

enquanto a colher gira, gira dentro da xícara.

Os cuidados com Santana do Ipanema

iniciam-se cedo, quando o sol despeja

as suas tintas que se derramam ricas

em casas de telhados velhos e esquecidos;

os cuidados com minha terra tem um quê

de condão e magia, e a luz solar que vaza

da janela do café aquece os meus dias.

Estou viajando numa xícara de café quente,

enquanto a colher gira, gira dentro da xícara.

A música desses dias de sol acalenta a xícara,

enquanto a colher gira, gira dentro do tempo

num preto e branco como nos filmes de Carlitos:

a mesa, as cadeiras, a janela, o quadro, a sala

têm um silêncio de eternidade do tempo da vovó;

o jardim calmo feito a esperança do mosquito;

a xícara me pede mais café e a lembrança tempo.

Estou viajando numa xícara de café quente,

enquanto a colher gira, gira dentro da xícara

num preto e branco como nos filmes de Carlitos:

a mesa, as cadeiras, a janela, o quadro, a sala

do tempo têm um silêncio de eternidade.


de Maria do Socorro Ricardo (1979).

20120212

HOJE EU TIVE UM SONHO SANTANA

Artista santanense tem nas palavras

O que o sapateiro tem com sapatos

O que o músico tem com a música

O que a doceira tem com seu tacho

Vi a feira vi o mercado vi o povo

Nas mãos como louças de barro

Sonhei com sua arquitetura nova

Hoje eu tive um sonho Santana

Como há muito eu não sonhava

Sonhei com sua arquitetura nova

As ruas gelatinosas moldavam-se

Nas mãos como louças de barro

Vi a feira vi o mercado vi o povo

Seu povo sorridente e felizardo

Como há muito eu não sonhava

Nas mãos como louças de barro

Hoje eu tive um sonho Santana

As ruas gelatinosas moldavam-se

Vi a feira vi o mercado vi o povo

Nas mãos como louças de barro

Seu povo sorridente e felizardo





HOJE EU TIVE UM SONHO SANTANA – Poema de Maria do Socorro Ricardo (Santana do Ipanema, 1979)

20120123

Agora+é+tempo+de+poemar

+zezito+agora+é+tempo+de+poemar+maria+do+socorro+ricardo+

Santana do Ipanema vejo-a de minha janela

da janela de minha casa admiro os barcos que viajam pelo universo e
o som dos pássaros presos em gaiolas gorjeiam sobre o tempo eterno

como se constroem barcos se constrói vida como se construíssemos
o silêncio do universo em páginas de cadernos de linhas e palavras

estou diante de um sábado de feira em Santana do Ipanema de 1970
onde o mercado divide-se em mercados e cada mercado há um preço
os pés das pessoas vencem as distâncias entre velhos e vazios planetas
há frutas na natureza morta que se desenha numa jarra presa à mesa
e o vaivém de silêncios entrecortados acordam os pássaros nas gaiolas


MARIA DO SOCORRO RICARDO - compôs este poema em 1970

As Águaspanemas em SantanaSertão Alagoano

estas são minhas águas-panemas
em Santana sertão alagoano
são terras parecidas com outras

com pedras e água salobra de mar
Santana do Ipanema querida cidade

cujas linhas geopolíticas pulam
falam e gritam sobre os acontecimentos

neste ano de 1973 e mais

onde os pés que caminham

nas areias de seu rio
com casas às margens
conto em linhas ligeiras

a passagem de seu povo

ribeirinha cidade de Santana

do Ipanema lugar de sol e de serras
distantes lugares de caminhos

de pássaros que cantam em gaiolas
as águas-panemas lavam e alimentam

os moradores das serras
silencia o universo do alto admiro

outra cheia que lava a cidade


MARIA DO SOCORRO RICARDO - poema escrito em 1974

Poema de Maio de 1968 em Santana do Ipanema


ai janela querida que ficou só em Santana do Ipanema pictórica
era maio de 1968 na cidade que me vira caminhar em suas ruas
a parede caiada de minha casa de fazenda admira os pássaros
nuvens formam figuras como se um Monet ou Manet as pintassem
de repente as cores voam e alcançam o universo dos pássaros
as gaiolas presas às paredes brancas revelam os seus cânticos
como se a Terra de Escritores: Santana do Ipanema fosse una

ai janela querida que ficou só em Santana do Ipanema feérica
era maio de 1968 na cidade quando pintei palavras em versos


das janelas de minha querida Santana do Ipanema
o universo me contempla como o contemplo agora

as pedras conversam sobre tempos antigos e mornos
como o limo que as une em desespero absoluto musgo

Santana do Ipanema entre um cinturão de serras secas
colore as ruas com as cores saborosas das lembranças

dos janelões calados e sérios de minha eterna cidade
o som dos pássaros presos em gaiolas fala do universo

agora compreendo as suas ladeiras Santana do Ipanema
a sua música suas feiras espalhadas pelas ruas metálicas

neste poema de maio de 1968 onde as palavras feéricas
lavam as ruas como águas de panemas areentas águas

e os caminhos que se caminham em Santana do Ipanema
são suaves e quentes como dois olhos presos à parede

os olhos das casas são janelões abertos que falam por si
sobre um tempo que já se foi há meia hora desistiu de ser


MARIA DO SOCORRO RICARDO - autora destes versos (1968)